PROFESSORES
Não conheço um único que não se sinta atacado desde que este governo entrou em funções. Ao contrário do que se tenta passar, não está em causa o facto de a maioria dos docentes (do básico e secundário, sempre, já que o universitário - onde residem problemas superiormente graves, no meu entender - continua intocável, ou não fossem ou tivessem sido ou quisessem vir a ser, os ministros e secretários de estado, professores) quer passar a vida de férias, sem ser avaliado a não fazer nada. A situação é diferente. Este governo, como os anteriores olha para o orçamento da educação e vê que a grande fatia vai para os salários dos professores. Acha que ganham muito para os resultados pobres que apresentam. Não percebe que o problema dos resultados está no modelo de ensino inadequado para a sociedade contemporânea.
Acha que resolve tudo, obrigando os professores a cumprirem um horário de empregado de repartição. Não contabilizam as horas e horas que eles passam a preparar materiais e metodologias. Nem o tempo que roubam às famílas na tentativa de resolverem mentalmente questões de relacionamento pedagógico das suas turmas. Querem que eles sejam avaliados e, de preferência, despedidos.
Nem que para isso tenham de meter os pais ao barulho. Aqueles que nunca aparecem nas reuniões, os que só querem que os filhos passem e não chateiem, os que não querem ter de pensar no final do dia no telefonema da directora de turma a afirmar que o seu anjinho de cabelos louros mandou a professora de matemática para as partes baixas, enquanto esmurrava um colega.
Na verdade, nem serão esses a avaliar aquilo de que não percebem, nem viram. Serão sim, os inúteis das actas, os parasitas das associações, que não tendo nada que fazer na vida se organizam em comités de ignorantes promovidos, aproveitando o poder que a competência nunca lhes deu.
O governo julga que estas medidas são do mesmo calibre das que retiram os privilégios às forças armadas ou o lugar de camarote aos padres nas cerimónias laicas. Mas engana-se. Engana-se nos pressupostos de preguiça da maioria dos docentes e na ligeireza das consequências de retirar aos docentes o resto do prestígio e autoestima que ainda lhes restava. Se é uma sociedade em que as crianças e jovens não revejam qualquer modelo a seguir que pretendem, então, estão no caminho certo. Agora preparem-se para os anos da velhice em que estenderão a mão para atravessar uma rua movimentada...
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